03/07/2007

A sobrinha de leite




Dentes rasgando a gengiva imatura.
Guinchos amáveis mas fáceis de ouvir!
Mãos que procuram e agarram sem partir
as loiças, e os objectos duros, com ternura.

De tão giros e contentes movimentos
contrasta o lacrimejar incerto.
Ora olha com o seu sorriso aberto,
ora verte e humedece os sentimentos.

Se de tal entristecer me aprouvesse a ficar de passivo de repente, então triste era ela se soubesse o Tio cobarde que, no fundo, não se esquece mas que agora percebe o que ela sente: dor de rasgo do dente que não perece.